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Balões
enfeitam o céu de junho em São Paulo
Conhecido no Brasil por fazer parte da tradição junina, o balão é considerado uma arte por centenas de pessoas. Essas dedicam parte de seu tempo arquitetando e construindo verdadeiras obras de arte que chegam a ter mais de 20 metros de altura e enfeitam o céu de São Paulo.
A
tocha é chamada de bucha e é feita de estopa e parafina. É ela a
responsável por aquecer e dilatar o ar dentro do balão. Esse consegue
subir por que a pressão na superfície interior do invólucro fica
maior do que a exterior.
O Balão dificilmente é construído por uma pessoa só.
Geralmente, os baloeiros formam equipes para realizar os projetos e
participar de festivais. Estes são organizados por uma equipe, que se
encarrega de convidar as demais para a competição. São eleitos os três
melhores balões noturnos, soltos de madrugada e os três melhores
diurnos, soltos ao amanhecer. Os
locais escolhidos para soltar os balões são os campos de futebol
escondidos na periferia ou então em chácaras particulares no interior
do estado. “Tem que ser um local onde não haja casa ou cidades por
perto, por isso hoje a maioria dos festivais são no interior ou num
lugar bem isolado.” Explica Carlos*. A fiscalização da polícia também justifica a preferência dos baloeiros por locais afastados da cidade. Eduardo*, que participa da “Turma da Colina”, faz balões desde 1989. Durante todos esses anos, esteve em diversos campeonatos, na cidade de São Paulo, no Rio de Janeiro e em Campinas. “Hoje, os festivais são mais difíceis por causa da fiscalização, mas antigamente participávamos de 3 ou até 4 festivais no ano.”
momento em que ele está caindo. É necessário muito cuidado pois algumas vezes a bucha ainda está acesa, podendo causar incêndios. Eduardo* explica que dependendo do tamanho do balão é preciso um grande número de pessoas para fazer o resgate. “primeiro a gente tira a armação e deixa a bucha queimando no chão e depois, dobra o balão”, diz ele. Muitos
baloeiros sabem da responsabilidade que se deve ter ao soltar um balão.
“A nossa maior preocupação é com a segurança de nossos balões,
pois ninguém imagina como nos preocupamos com isso, pois se algo der
errado pode por a vida de alguém em perigo, ou perder o trabalho que
durou meses ou anos para ser feito.” Porém, nem todos tem essa consciência,
soltando balões pequenos e precários e não efetuando o resgate do
objeto. Dalva*,
57, mora em frente a um campo de futebol na zona oeste de São Paulo.
Todos anos, ela assiste temerosa à soltura dos balões. “Acho bonito,
mas muito perigoso. As vezes os fogos estouram quando o balão ainda está
baixo”, afirma a ela. A
imprudência de alguns acaba colocando a sociedade contra os baloeiros,
mas eles reclamam: “Somos taxados como marginais, somos ditos como um
mal para a sociedade, mas isso é a imprensa que nos titulou. Somos
apenas um tipo de artista diferente dos outros que demonstra sua arte no
céu. Qual pessoa, que ao ver um balão no céu, não fica admirada com
a beleza dele?” diz Carlos*. Além
de respeito, os baloeiros também querem permissão legal para praticar
sua arte. No Rio de Janeiro, a Sociedade Amigos do Balões, a SAB,
representada pelo deputado Paulo Ramos – PDT – está com um projeto
de lei em andamento na Câmara legislativa do Estado. Esse projeto
permite a soltura dos balões, desde que as equipes sejam cadastradas e
autorizadas pela SAB. Também especifica que deve ser enviadas cópias
da autorização para o Corpo de Bombeiros e a delegacia de polícia
mais próxima do local do evento.
No
projeto de lei, o deputado Paulo Ramos, justifica a sua decisão: “Os
balões, peças tradicionais das festas juninas, herança cultural dos
irmãos portugueses, são um fato social arraigado à infância, à
juventude, à família, às comemorações e ao folclore brasileiro, no
caso das festas juninas, sempre em louvor a algum santo, foram
constantemente, uma conjugação de engenho, arte, diversão e
solidariedade.” Embora os balões sejam lembrados por fazer parte da tradição junina e do folclore brasileiro, o balão surgiu na França. Os irmãos Etiene e Joseph Montgofier, fabricantes de papel, procuravam novas aplicações para o seu produto e começaram a projetar e estudar o balão em 1780. Três anos depois, fizeram o primeiro teste, o engenho voou carregando um pato, uma carneiro e um gato.
1709
pediu permissão ao Rei D. Jõao V para mostrar a “máquina de
voar”. Na primeira demonstração o balão incendiou - se antes mesmo
de voar. Já na segunda demonstração, o balão subiu uns vinte palmos,
mas foi destruído pelos criados do palácio que temeram um incêndio. Três
dias depois, Frei Gusmão fez a terceira experiência no pátio da Casa
da Índia, perante D. João V e a rainha Dona Maria Anad e Habsburgo.
Dessa vez, o balão voou plenamente e só caiu quando sua chama já
estava apagada. O
Rei D. João ficou encantado com a maravilha e concedeu ao Frei o
direito sobre qualquer nave voadora, condenando a morte quem tentasse
copiar o engenho. Não
sabia Gusmão que a sua criação iria alcançar distâncias bem
maiores.
* O nomes foram trocados a pedido dos entrevistados
Ana Lucia Pires
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