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Quebrando o estereótipo da Culinária Britânica A
idéia de que a comida do reino Unido é ruim não é unânime . A qualidade
gastronômica de um país pode ser boa para uns enquanto que para outros é
ruim
Quando
o assunto é culinária internacional a França aparece logo, o México é
lembrado pelos temperos picantes, a Alemanha por seus salsichões... No fim da
fila vem o Reino Unido, criticado por servir uma comida, considerada por
muitos, sem sabor. O estereótipo que cerca a culinária britânica é forte,
porém a crítica não é unânime. Existem motivos que justificam suas
características e detalhes que devem ser levados em conta na hora de avaliar
qualidade.
Apesar
de ser um povo que cultiva hábitos herdados de seus ancestrais, a influência
de outras nações acaba refletindo em seus pratos. Os países que mais
contribuíram para a variedade gastronômica do Reino Unido foram suas ex-colônias,
como a Índia e o Vietnã, e os países vizinhos, como a França e a Itália.
Wilma Kövesi, professora de cozinha, sócia da escola Wilma Kövesi de
Cozinha e integrante da equipe do evento de gastronomia BoaMesa, cita o molho
Curry, entre outras especiarias, como uma das contribuições das ex-colônias
britâncias na culinária atual presente no Reino Unido.
“A
culinária britânica é rica, substanciosa, colorida e farta, tanto nos
pratos salgados como nos doces.” – conta Ana Butterfly, formada em
Gastronomia pela Universidade Estácio de Sá, que dedica-se atualmente à
cozinha internacional. Ana Butterfly é uma das Chefs que defende a qualidade
da comida do Reino Unido. Ela afirma que não é apenas de legumes, verduras e
carnes de caça, que são feitos os pratos na Grã-Bretanha. Flores comestíveis,
ervas, cogumelos e frutas, assim como uma grande variedade de queijos e frutos
do mar estão presentes incrementando a culinária local. “Eles utilizam
muito o creme de leite fresco, manteigas, leite, vinhos, champagne, sementes,
nozes, castanhas, pimenta, vinagre e azeite em seus caldos básicos de carne.
E seus molhos são bem incorpados.” – completa a Chef brasileira.
O
ponto de vista de Ana Butterfly não é o mesmo defendido por Ana Margarida Lázaro,
editora da seção de Culinária
do Portal Netfeminina.Sapo, que realiza freqüentes viagens à Grã- Bretanha.
Ana Lázaro critica a falta de tempero e criatividade, alegando, que a
variedade de restaurantes (internacionais) no Reino Unido esconde a pobreza da
culinária britânica. “Há países onde a dita cozinha do mundo está em
todas as esquinas. Tal é o caso da Inglaterra, principal país da Grã-Bretanha.
Essa característica pode ser explicada de duas formas. A primeira pelo fato
de ser membro da Common Wealth e ter populações de vários cantos do mundo,
recebendo influência internacional; e a segunda seria talvez pelo fato de a
comida ser ruim e sem sal, tendo por isso que buscar sabores de outras
latitudes.” – opina Ana Lázaro.
A experiência de Pretto e sua comparação com o Acarajé brasileiro traz a tona um outro olhar sobre a conceito de qualidade gastronômica. Assim como muitas pessoas acusam a culinária britânica de ser ruim, muitos dos estrangeiros que vem ao Brasil não suportam pratos como Acarajé e Feijoada. A questão deixa de ser uma classificação entre bom e ruim para tornar-se uma questão mais de costume do que de qualidade. O que para alguém pode parecer bom e gostoso, para outro indivíduo pode ser ruim e sem graça. O valor está na cultura que os pratos carregam e nas razões que justificam suas características.
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